Como funciona o IMAX (e porque é que nem todos são iguais)

Mafalda Ildefonso

Publicidade e Marketing

Já reparaste que às vezes vês “IMAX” no cartaz e o ecrã nem parece muito maior do que numa sala normal? Não é ideia tua. Por trás desse nome não está só uma técnica de projeção, está uma empresa a sério, que desenha e fabrica o seu próprio equipamento (câmaras, filme, projetores) e depois o vende, ou aluga, a salas de cinema espalhadas pelo mundo. E ao longo dos anos, essa empresa passou a usar o nome “IMAX” em salas com equipamento muito diferente entre si, o que explica porque nem toda a experiência IMAX é igual. No fim deste artigo vais perceber exatamente quais são essas diferenças e porque existem.

1. A HISTÓRIA DO IMAX COMEÇA COM UM PROBLEMA CHATO DE RESOLVER

Nos anos 60, a norma era projetar filmes com vários projetores ao mesmo tempo, cada um a mostrar só uma fatia da imagem, uns ao lado dos outros, para formar uma imagem gigante no total, como juntar vários pedaços de um puzzle. Na teoria parecia uma boa ideia para criar algo mais imersivo. Na prática, era um pesadelo: bastava um projetor arrancar um instante atrasado, ou a imagem desalinhar-se um milímetro, para se ver logo a “costura” onde uma fatia acabava e a outra começava.

Foi a pensar nisto que um grupo de canadianos teve uma ideia bem mais simples: em vez de complicar a vida com vários projetores, porque não usar só um, mas capaz de mostrar uma imagem muito maior? Essa ideia deu origem à IMAX, a empresa que fundaram para a pôr em prática. Em 1970, no Japão, mostraram ao mundo o primeiro filme feito assim. Um ano depois, abriu a primeira sala permanente, em Toronto, que continua a funcionar ainda hoje.

3. COMO A IMAGEM DO IMAX É TÃO MAIS NÍTIDA

A resposta está na película. Uma sala de cinema normal usa uma tira de filme de 35mm, que passa pelo projetor na vertical. Se pensares num filme como uma sequência de fotografias fixas mostradas muito depressa umas a seguir às outras (é o que dá a ilusão de movimento), cada uma dessas fotografias é o que se chama um fotograma. O IMAX usa uma tira quase o dobro da largura do 35mm normal, e fá-la passar na horizontal. O resultado é que cada fotograma acaba por ser cerca de dez vezes maior do que um fotograma de cinema normal. Mais espaço, mais detalhe, mais nitidez quando a imagem é ampliada para um ecrã gigante. É como comparar uma foto tirada com uma câmara profissional a uma tirada com o telemóvel.

Só que projetar um filme deste tamanho sem que a imagem tremule não é fácil. A solução foi prender a película à lente por sucção, em vez de a puxar com garras mecânicas como um projetor normal. E depois há o problema da luz: para iluminar ecrãs que chegam aos 20 ou 30 metros de largura, são precisas lâmpadas tão potentes que aquecem acima dos 700°C, e por isso têm de ser arrefecidas a água e a ar ao mesmo tempo.

No fundo, o IMAX nunca foi só “um ecrã maior”. É câmara própria, filme maior, projetor mais potente, sala com cadeiras inclinadas e som pensado de propósito, tudo a apontar para a mesma coisa: fazer-te sentir dentro da imagem.

4. COMO O IMAX CHEGOU AOS CENTROS COMERCIAIS

Durante quase 30 anos, esta tecnologia só existia em museus e centros de ciência, a mostrar documentários curtos, porque filmar com câmaras tão grandes e caras era um processo lento e complicado.

Isso mudou nos anos 2000, quando a IMAX percebeu que não precisava de filmar tudo de raiz. Bastava pegar em filmes normais de Hollywood e convertê-los digitalmente para o seu formato. Foi assim que Matrix começou a aparecer nos cartazes “em IMAX”, e é essencialmente assim que funciona a maioria dos lançamentos ainda hoje.

Ao mesmo tempo, a empresa trocou os projetores gigantes de película por projetores digitais, muito mais baratos e fáceis de instalar em qualquer multiplex. Isto ajudou-a a crescer depressa, mas teve um custo: salas mais pequenas e imagem de qualidade inferior à original. Não admira que os fãs mais críticos tenham começado a chamar a isto “LieMAX”, um trocadilho com “mentira”.

Ainda assim, nem tudo se perdeu. Há realizadores que continuam a filmar com câmaras IMAX a sério, e o mais conhecido é sem dúvida Christopher Nolan, autor de várias cenas de The Dark Knight e, mais recentemente, de The Odyssey (2026), o primeiro filme rodado inteiramente neste formato.

5. NEM TODO O IMAX É IGUAL

Chegámos ao ponto onde tudo isto se junta. A sala original, em película, ainda existe, mas é rara. A maioria do que hoje se chama “IMAX” nasceu das versões digitais mais baratas que a empresa criou para conseguir crescer. Estes são os principais formatos que podes encontrar:

  • IMAX em película: a experiência original e a mais nítida de todas, mas só existe numa dúzia de salas no mundo.
  • IMAX com Laser: a melhor versão digital, com dois projetores a laser em vez de filme. Imagem excelente, cores e contraste muito bons.
  • IMAX Digital: a versão mais comum, presente na maioria dos multiplexes. Melhor do que uma sala normal, mas longe do IMAX clássico. É esta a versão apelidada de “LieMAX”.
  • IMAX Dome: salas em cúpula, ao estilo de planetário, mais comuns em museus e centros de ciência.

Se quiseres confirmar exatamente que tipo de sala tens perto de ti, o site oficial da IMAX tem a lista completa de formatos e localizações.

6. PERGUNTAS FREQUENTES

Vale a pena pagar mais por um bilhete IMAX? Depende da sala. Numa sala IMAX Laser ou em película, sim, a diferença é bem visível. Numa sala IMAX Digital comum, a melhoria em relação a uma sala normal é mais discreta.

O que significa “LieMAX”? É um termo usado por cinéfilos para descrever salas com a marca IMAX, mas com ecrãs pequenos e projetores digitais menos potentes, distantes da experiência IMAX original.

Todos os filmes IMAX são filmados com câmaras IMAX? Não. A maioria é apenas convertida digitalmente para o formato depois de filmada num processo normal. Só alguns realizadores, como Christopher Nolan, filmam mesmo com câmaras IMAX.

7. EM RESUMO

No fundo, a ideia por trás do IMAX é simples: uma imagem maior e mais nítida, obtida com um filme fisicamente maior. O que complicou as coisas foi o próprio sucesso: ao longo dos anos, a empresa espalhou o seu nome por salas muito diferentes entre si, com equipamento também diferente. Por isso, da próxima vez que pagares o bilhete extra por “IMAX”, vale a pena confirmar que tipo de sala é. Nem todas merecem mesmo o nome.

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